20 de abr. de 2012

Do direito de ir e vir


Este post trata do movimento como algo que se disponibiliza no tempo e se constitui no relacionamento. Trata ainda do sentido do movimento, e com isso quero dizer não apenas do rumo de uma “partícula” senão, sobretudo, do olho que acompanha aquela partícula disposta no tempo e que está constituída de relacionamento. Esta faculdade, a do olhar, claro é, se dá através de uma possibilidade da luz, pois que “constrói” sobre sombras o tempo e seu espaço (do relacionamento).
Não foi por Ele que aceitei ao convite de não apenas me filiar ao sindicato, senão que, além disso, participar de uma gestão administrativa sua. Na época, e isso era quase ao fim de 2010, poucos meses depois de meu ingresso no IFPR, a grande maioria dos funcionários Técnicos Administrativos não queriam e se recusavam declaradamente a participarem oficialmente da chapa administrativa daquele sindicato. Eu nada entendia, e ainda não sei o que compreendo exatamente, mas não recusei que meu nome fosse disponibilizado a contribuir nas ações necessárias para o seu desenvolvimento, se é que pudesse contribuir com algo. Entendo, isso sim, a enorme ignorância que possuo; e compreendo, isso também, a grande curiosidade e vontade que me constitui: própria condição para a alguma luminosidade, seja lá ao que for o foco.
Ele estava na organização da criação (creio) e da condução da ASSIFEPAR (Associação dos Servidores do Instituto Federal do Paraná). Pelo menos ele era o presidente e assinava os contratos, conforme pode ser visto, por exemplo, no DOU de 09/07/2009. Momento este, desta assinatura, em que ele ocupava um cargo de Diretor de Relações Comunitárias da extinta Pró-Reitoria de Relações Institucionais e Inovação (conforme DOU de 09/03/2009), depois de cumprir o cargo de Coordenador de Assuntos Parlamentares, de acordo com a Portaria n.º 53 de 07/01/2009. Aquela associação foi a entidade que, logo na sequência, se tornaria o Sindiedutec, um sindicato para representar o interesse dos trabalhadores das entidades de ensino básico técnico e tecnológico do Paraná. Ele era a liderança incontestada que, de forma tão natural quanto a sobreposição do inverno sobre o outono, ao criá-la, a presidia.
Não sei, hoje, qual a estação que vige por lá. Mas foi num inverno, após um natural e turbulento outono, que desisti daquela entidade, em carta enviada na primavera. Minhas razões são claras e óbvias.
Ele foi imoral através de uma intenção política ciente, dispondo-se, no entanto, em várias ocasiões, com argumentos quase disparatados, não fossem, por fundamento, fundamentais. Explico-me, pedindo a liberdade de usar uma imagem compartilhada pela Física. Diz-se, com erros e exageros, assim: Einstein relativizou o mundo ao transformar a referência das observações dos fenômenos. O que era absoluto num momento, o tempo e o espaço, pulverizou-se ante o domínio da luz.
Ele não acompanhou esta mudança e, apesar do referencial num tempo e espaço imobilizado, inercial, seu ponto de vista não é de todo dispensável e pode ser compreendido: tal como a relativização einsteiniana, seus argumentos são de um relógio estático que ele traz consigo; seu intervalo de tempo, assim, caminha em atraso numa relação com os demais referenciais, dando a seus argumentos uma existência restrita. Suas palavras não são sombras – e nenhuma palavra, sobretudo política, é sombra – mas desviam, de modo geral, as aparências, distorcendo a vista e sua imagem no olho que a mira, pois que a própria luz se curva ante sua gravidade. Vem daí a questão dos buracos negros? Vem daí a posição do Sindiedutec?
Meu confronto não é com o Sindiedutec, enquanto organização de pessoas em torno de um objetivo, ou objeto, comum para a união de forças que trabalhem por resultados iguais. Meu confronto não é sequer com a pessoa d'Ele. Meu confronto é com o direito de aprender e compreender, o direito, fundamental, de ir e vir. Ele, a seu modo, goza deste direito sem qualquer pudor, vai e vem, tal como visto aqui nestes diversos cargos e institutos pelos quais passou. Mas Ele, aparentemente, não quer compartilhar deste direito e, numa ação que julgo ser simplesmente comercial, tenta limitar os passos, restringir a mobilidade, coibir a ação legítima das pessoas que não se relacionam em sua atuação.
Sobre a questão comercial, ela é justificada facilmente em relação ao tema do “mercado interno”. Sem esta população, estes consumidores, que são os próprios fornecedores e deveriam ser, num ideal, seus produtores, o sindicato d'Ele não se manteria. E, aí entra o assunto, o sindicato não se mantendo, seu poder político, o capital político d'Ele, se, digamos assim, “desmancha no ar”. Daí que suas ações, as atitudes d'Ele, serão invariavelmente neste sentido: como um empreendedor, se lançará em busca de um mercado consumidor que lhe permita o acúmulo de um capital específico para um investimento específico.
Portanto, através do uso (ato) que se justifica por um sindicato, está a necessidade premente de um patrimônio individual, patrimônio este, fundamentalmente, de capital político. E a questão avança um pouco no quesito da manutenção financeira e material, tendo em vista que sem uma posição política, sem uma intenção formativa, sem uma disposição comunitária, a própria justificativa e utilidade de um sindicato não se mantém, ou sequer existe. E é neste sentido que o Sindiedutec não existe para os Técnicos Administrativos.
Disponho aqui de algumas questões a serem pensadas, analisadas e respondidas, por quem se interessar possa...
  1. Ele ocupa e acumula, como tenho ouvido por aí, cargo de Professor DE com o de Técnico Administrativo, além da ocupação como presidente sindical?
  2. Em e-mail encaminhado à diretoria do Sindiedutec-PR, na data de 03/05/2011, há cópia de um pedido, d'Ele, ao recém-eleito Reitor do IFPR com os seguintes dizeres (está ipsis litteris, não são erros de digitação meus):
    Além disso, EU PRECISARIA DE UMA CONVERSA EM PARTICULAR CONTIGO para avaliar contigo como dirigir o sindicato que não vejo como uma ferramenta de contestação mas que em certas situações tem por obrigação tomar determinados pocisionamentos. Também, gostaria conversar contigo quanto à minha espectativa de "sair" o quanto antes possível desta posição pois não é minha prioridade de geito nenum...”.
    Há uma explicação razoável para isso? Justifique. (Por razoável quero dizer: há a possibilidade da comunidade e dos servidores que pagam e pagaram por um sindicato saber o porque de seu presidente se sentir acovardado e ir buscar “apoio” junto ao reitor, e omitindo-se, justamente, de sua comunidade, ou, pelo jargão, sua base?)
  3. Em determinado momento estive conversando com Ele sobre a minha incompreensão de uma Comissão de Ética institucional que existia sem possuir aparência. Ou seja, a Comissão existia, mas não era acessível aos servidores porque não se sabia onde ou como contactá-la. No entanto, uma ou duas semanas após nosso diálogo (éramos dois!), surgiu no site do IFPR o menu da Comissão de Ética Pública com seu Regimento, Membros e Legislação. Era, então, 12/04/2011. Em outra oportunidade, após um comunicado de sua participação, “por convite”, em uma reunião do CONSUP, disse-lhe todas minhas provocações: os servidores não sabiam das pautas e desconheciam completamente as decisões e as Atas daquelas reuniões. Naquela oportunidade, apenas duas atas estavam dispostas no site. Sobre isso, tenho os arquivos da conversa, diálogo no éter digital... E não é que, em uma semana, se tanto, abre-se o menu do CONSUP no site e tem-se ali dispostas quase todas as atas das reuniões realizadas pelo CONSUP!! Seus arquivos em pdf não me permitem outra ideia, senão a de que minhas solicitações, dúvidas ou angústias, eram prontamente atendidas a partir de uma conversa com Ele. Ou seja, o diálogo se abria! Neste sentido, confesso, se estou correto, o sindicato era/é bastante ágil! Questão: estou correto, ou faz parte de minhas confusões pessoais?
  4. Em Ofício encaminhado à Direção nacional da FASUBRA, em 16/03/2012, pelo Sindiedutec-PR, Ele se constitui e busca confundir-se como o próprio órgão que preside:
  • Primeiro, assume o total desconhecimento em relação ao XXI CONFASUBRA, evento importantíssimo para os Técnicos Administrativos: “(...) fomos surpreendidos pela informação na página eletrônica da FASUBRA de convocação de Assembléia na nossa base sindical para eleição de delegados para o XXI CONFASUBRA.”
  • Segundo, assume sua incompetência com argumentos que se contradizem, posto que são argumentos sobre a própria responsabilidade do Sindiedutec: “Não sabemos se tal encaminhamento se deu por desconhecimento, má fé ou interesse em burlar a representatividade em evento tão importante como é o CONFASUBRA.” Ora, o próprio Sindiedutec-PR agiu com desconhecimento, com má-fé ou com interesse de burlar a própria representatividade, boicotando-se a si mesmo na participação do CONFASUBRA? Ou, pior, acusa a própria FASUBRA de desconhecimento (do que não existe: um Sindiedutec para os técnicos!?!), de má-fé (do que é seu dever!?!) ou interesse em burlar a representatividade (antropofagismo!?!)?
  • Por fim, assume que tem pouca experiência e dificuldades (o que justifica o pedido ao Reitor, acima) e termina com uma pérola: “solicito orientação quanto aos procedimentos necessários para viabilizar a participação dos Técnicos Administrativos do Instituto Federal do Paraná, representado pelo SINDIEDUTEC-PR, Sindicato de base estadual, junto a esta importante e histórica Federação”. Primeiro, acusa ser o detentor do direito “nato” perante àquela confederação; depois, assume que todavia não é sequer conhecido por lá!!
    As questões deste item são: foi um ofício teu, particular, ou haveriam outros da diretoria e “da base” que compartilham desta monstruosidade/aberração? Teus objetivos visavam o monopólio do mercado consumidor “da base” (IFPR) para teu sindicato, em relação aos Técnicos Administrativos, ou tendiam 'apenas' em extorquir nossos direitos junto ao CONFASUBRA?
A conclusão óbvia deste ofício é a seguinte: desespero. Isso porque o tempo passa e a luz é referência. O Sindiedutec-PR poderá 'brigar', combater jurídica e ideologicamente (?) pela representatividade dos Técnicos. Porém, como não possui mais do que um sentido determinado, desvirtuado do que seja e represente um movimento sindical genuíno, com pretensões e disposições sindicais, o máximo que poderá envolver é o que a burocracia consegue e permite: uma representatividade de papel avulso... Neste sentido, a primeira atitude a se tomar, para tentar solver seu desespero, seria a de tentar explicar os posicionamentos tomados pelo Sindiedutec-PR, na pessoa de seu presidente, em diversas ocasiões. Por exemplo, quando das eleições do Reitor e do CONSUP, circularam algumas manifestações contundentes pelos e-mails, não? Mas sobretudo em relação à postergação, incompreensível, das eleições para os membros do CONSUP, que, na ocasião, se auto-legitimaram nos cargos por um ano além de seus mandatos legítimos, possivelmente para aprovar um novo Estatuto. Isto poderá ser melhor discutido, um fato, porém, já foi aqui levantado: sobre os novos conselhos naquele estatuto criados, o Sindiedutec-PR tem promovido alguma discussão?
No entanto, quero deixar claro, não tenciono uma afronta com os docentes que sentem, desejam e possuem naquele sindicato um espaço para a discussão, a defesa e a luta de suas carreiras. Pelo contrário, cada um, todos temos o direito de ir e vir – e quando se nos tentam represá-lo é quando devemos mais unidos e fortes nos sublevarmos. E o movimento realizado naquele direito é o que nos permite conhecer e reconhecer as pessoas, os ambientes, aos próprios movimentos; o que é fundamental para que se projete alguma ação, qualquer ação justa e eficiente, seja um indivíduo, sobretudo uma comunidade. Meu “depoimento” aqui é devido a esta disposição de confronto que recebi e que publicizo para permitir que todos nós, sem exceções, possamos tentar abrir um diálogo em conjunto para unirmos opiniões, sugestões e decisões para uma ação fundamental e em conjunto, que vem a ser a defesa dos servidores públicos e do serviço público.
Finalizo: em um artigo disperso, tomado “aleatoriamente”, tem-se uma sensação bastante estranha, porque análoga. Tal artigo descreve uma reunião entre três entidades sindicais e o governo para tratarem dos assuntos pertinentes à carreira dos docentes. Ali, como se vê, o PROIFES toma uma posição que é dita, por característica, governista, contrária as duas outras entidades sindicais, o SINASEFE e a ANDES. Esta característica, é o que me pasma, parece muito, muito próxima daquela citada no e-mail e transcrita acima: “não vejo [o sindicato] como uma ferramenta de contestação”. Pois bem, aqueles dois sindicatos, contestadores, são entidades tradicionais. Já o PROIFES (e o Sindiedutec)... Há uma antiga estratégia para a conquista do poder: dividir para conquistar. Neste sentido, podemos elaborar estudos sobre as estratégias empregadas pelo Partido dos Trabalhadores na legitimação de um domínio do poder, sobre nosso país, ante uma “força” a qual ele se curvou. Histórias... A questão análoga é a seguinte: sobre tudo o que aqui está caracterizado, qual a posição do Sindiedutec-PR com a Administração do IFPR, ela se diferencia do que diz o artigo, em relação ao PROIFES? E quem compõem a Direção do PROIFES? Sabem, a “base”, das implicações e das estratégias de cada uma destas entidades sindicais? Ou dividir para conquistar tipifica alguns movimentos?


(Observação: realizarei, se necessário, algumas alterações, bem como colocarei os links, em breve)

13 de out. de 2011

Desfiliamento

     Venho por meio deste solicitar minha desfiliação desta entidade conhecida como Sindiedutec, conforme orientação dada por seu presidente. Solicito também que seja desvinculado meu nome em torno de qualquer ato e manifestação por aquela entidade executados. 

       Minhas motivações seguem sua vocação contributiva para o debate de temas, assuntos e movimentos que signifiquem um aprendizado, que possam trazer alguma compreensão, que justifiquem a comunhão das pessoas e suas comunidades no tocante ao desenvolvimento e aperfeiçoamento da instituição do IFPR.

      Minhas justificativas são bastante significativas porque passa pela ousadia silenciosa e anacrônica que aquele Sindicato tem demostrado frente a questões vitais e de suma importância para o conjunto de seus representados e, assim, para a instituição do IFPR como um todo. Nos referimos aqui, para sermos breves, à temática da incompreensível autolegitimição dos representantes do CONSUP, nesta que é a principal instância administrativa do IFPR, bem como aos conteúdos escancarados com a edição de um segundo estatuto que, além de diminuir o número efetivo de representantes da comunidade acadêmica (o máximo passou de 5 para 4 por entidade; o que significa dizer que, efetivamente, de 16 -- considerando o egresso -- passaram a ser 12), manteve-se com superioridade "a-paritária" do Colégio de Dirigentes. Estes temas e o silêncio que os consente não conta com minha participação. Mantenho, assim, minha orientação já descrita em carta com a renúncia do cargo de diretor no Sindiedutec.

         Se houverem dívidas a se redimir, dúvidas a excluir e diálogos a se desenvolver, estou à disposição em meu local de trabalho.

           Att.

Curitiba, 13 de outubro de 2011

26 de set. de 2011

“Não sei, só sei que foi assim.”


Os métodos teóricos e práticos que investigam as diferenças, para acentuá-las no estilo do vivido e no pensamento, tem necessidade da ironia e do negativo. 
                                  Henri Lefebvre

Nossa autenticidade está no inautêntico.
                                   José de Souza Martins


Voltei depois de duas semanas longe de qualquer instinto institucional. Curti férias. Antes de sair, no entanto, fui ter junto ao Sinditest um diálogo; fui me apresentar e ver (ouvir) o que por lá se caminha. Não durou muito, não. Fiquei pouco, falei breve, ouvi grosso, filiei-me e saí. Se será aquele o meu sindicato, sei não: ficará para outra história. O que sei é que este daqui, brotado de fruto “verde”, não se moverá, por hora e do jeito que está, em direção a algum solzinho mais caloroso. Não sei se é por ser planta rasteira, com preguiça de se espichar, não sei dos adubos que lhe faltam, não sei se à terra lhe faz falta água. Tenho já bons motivos não apenas para dúvidas, mas para o descrédito. Deveria enumerá-los? --- eis uma questão.
         A 'coisa' é que poucos minutos de atualização no trabalho, após o retorno das férias, ainda na caixa de e-mails, sinto uma confusão ao ver uma lista de mensagens curiosas, de variadas pessoas, onde até a palavra motim foi usada. Curioso é modo de se dizer o riso, em boca de choro. Eram patadas, ausências, necessidades, carências difundidas por e para várias direções; e o motim aparecia ali, aparentemente com algum propósito. Isso, mais que interesse, me deu graça.
       Motim, segundo a Wikipédia, é uma insurreição de grupos não homogêneos, organizada ou não, contra qualquer autoridade instituída”. O que nos leva para a questão referente aos grupos não homogêneos e à autoridade instituída.

         A + B = AB
Sabe-se, e quando digo isso é por testemunho certo e não por murmúrio duvidoso, que existiu um acordo em relação ao candidato a reitor da atual administração. Acordos, por óbvio, são tratos, compromissos entre, no mínimo, duas partes; portanto, devemos dar por certo a existência de, no mínimo, duas partes dentro daquela “chapa”, que saiu vencedora e hora administra (executivamente) o IFPR. Os termos do acordo, os compromissos assumidos, eu não faço idéia, não nos importa, de momento, e, é algo factível, hão de se revelar conforme caminhe o mandato do eleito: há toda uma metodologia sociológica e política aplicável...
Para não fetichizarmos em demasia, utilizaremos A e B para ‘individualizar’ àqueles grupos, ao invés de direita e esquerda (isso nos poupará trabalho para definir e nomear estas e outras partes que possam existir, além de nos deixar livre de incorrermos ao poço sem fundo da política e termos de, por ventura, conceituá-los diferenciando-os como centro, centro-esquerda, centro-direita...). Pois bem, existiu o acordo entre A e B, que não nos interessa os termos, que se deu sem problema algum, dentro da normalidade e praticidade, tudo correto, legal e justo, como na política, na sociedade: os indivíduos constituem-se em pactos sociais. Eles venceram as eleições de igual maneira: correta, legal e justa. O que nos interessa aqui é isso: apesar de ser um governo (executivo), são dois grupos. Não nos importa os tamanhos, os fiéis, as bandeiras. Nada disso nos importa neste momento. Remeto toda esta lenga-lenga apenas para que se mapeie um território e, com o mapa disposto, possamos nos localizar.
       Porque acredito na existência de, no mínimo, dois grupos, o A e o B? Ora, temos, como disse, testemunhos variados sobre o acordo com discussões realizadas aqui, no local de trabalho; além disso, e de outras pequenas conjunturas a serem elaboradas, há os discursos no dia da posse do Colombo, dia em que presenciamos todos os louvores ao “republicano” (sic!) Beto Richa sem que em nenhum momento se mencionasse alguém do MEC ou do Governo Federal. Não quero dizer que haveria a necessidade de se ‘louvar’ o Alvorada em detrimento das Araucárias; melhor seria que não se fizesse por ninguém (confesso que esperei uma ‘defesa’, que fosse mínima!, o que não ocorreu e me deixou em curiosidade – e que, talvez, por isso eu esteja agora mencionando este caso). Mas já que um foi, louvado, porque não a outra? Discutir (tudo) isso, agora, nos distanciará de nosso objetivo. Penso, no entanto, que o silêncio do nome ‘dela’, ou de algum privilegiado do MEC, em detrimento dos louvores ao outro, indica, por si só, alguma ruptura, um vão que se abre entre dois espaços, o de nossas origens (fundação) e o de nosso momento. Há outras pequenas conjunturas (a serem elaboradas), mas, por hora, digo que isso é algo que não devemos ignorar: não o silêncio, mas a finalidade daquele silêncio. É, creio, algo bastante relevante e que devemos ter atentos os olhos (das retinas às sinapses), para que tentemos evitar ao máximo que esta instituição sofra dos fisiologismos tão comuns neste país e possamos criar e tocar uma Educação com seus princípios e valores máximos.
      
      AB + C?
      Já escrevi e repassei para as (algumas) pessoas 'coisas' que me ocorreram e que me deixaram, com riso, estrebuchado. Isso porque era uma alucinação, era uma coisa “minha”, ainda que envolvesse o Sindiedutec e seu presidente. Aqui, no entanto, indico apenas uma questão, que parte de um e-mail encaminhado pelo presidente daquele sindicato a toda a diretoria do mesmo. Penso ser descabido querer considerar uma ofensa à individualidade do remetente se revelo, publicamente, um assunto (prá lá de) público. Em se tratando de ética, é dever, correto?
Em 03/05/2011, o e-mail para a diretoria do Sindiedutec convoca em data futura uma reunião com o recém eleito Reitor. Neste e-mail consta a cópia do pedido da reunião do presidente do sindicato ao próprio Reitor. Ipsis litteris, este diz: “Além disso, EU PRECISARIA DE UMA CONVERSA EM PARTICULAR CONTIGO para avaliar contigo como dirigir o sindicato que não vejo como uma ferramenta de contestação (…).”
      Bem, é por demais não crer num sindicato como uma “ferramenta de contestação”; de outro modo, como se daria alguma racionalidade? Ou qual seria a ferramenta conveniente e com que finalidades? Isto, me parece, demonstra um certo movimento ‘burocraticista’, de comunhão simples e branca... Mas, voltando para o nosso tema, fica claro, principalmente sobre o trecho avaliar contigo como dirigir o sindicato”, que o questionador não é ‘agrupado’ nem de A e nem de B; ou seja, é um outro, diferente de AB: seria, pois, o C. Assim não fosse, estando ele unido a A ou a B, portanto a AB, para que haveria a necessidade de se dirigir com uma pergunta tão carente? Ao usar aqueles termos, podemos concluir, nesse “estudo mixórdico”, a existência de, agora, no mínimo, três grupos, o A, o B e o C, estando este último entre ou extra e buscando se “articular” ao lado de AB. Parece tudo muito vertiginoso, mas é mais que isso: é hilário, é ironia pura, tal qual a referida por Lefebvre (acima), citado por Martins. Este, assim diz em A Sociabilidade do Homem Simples: “(...) a modernidade foi recebida entre nós (brasileiros) às gargalhadas, como se ela de fato não trouxesse consigo profundas transformações sociais, como se fosse apenas um erro da história.

         A autoridade instituída
Segundo a lei de criação dos IFs, “a administração dos Institutos Federais terá como órgãos superiores o Colégio de Dirigentes e o Conselho Superior”, sendo que o primeiro é de caráter consultivo enquanto que o segundo é consultivo e deliberativo. Citamos os comentários à lei realizados pelo MEC, disponível em seu site:
Enquanto o Colégio de Dirigentes, integrado pelo Reitor, pelos Pró-Reitores e pelos Diretores Gerais dos campi componentes do respectivo instituto é uma instância administrativa executiva, responsável pela ação coordenada de toda a estrutura diretiva do mesmo, o Conselho Superior é a instância maior de deliberação. Sua legitimidade (do CONSUP) advém da forma democrática com que seus integrantes venham a ser indicados, [e é] fundamental para contribuir na definição de políticas estratégicas para a instituição.

      Não há nada para explicar do conceito de Conselho Superior (aqui dado como CONSUP); quer dizer, Superior porque é superior: todas as demais “esferas” administrativas, inclusive a Reitoria, lhe são obedientes, porque ‘inferiores’, devendo se sujeitar aos atos deliberados por aquele. É por isso, em suma, que aparece nesta ordem os instrumentos normativos do IFPR em seu estatuto: I. Estatuto; II. Regimento Geral; III. Resoluções do Conselho Superior; e IV. Atos da Reitoria.(*)
      A ordem denota uma hierarquia. Assim, temos, hoje, o Estatuto, o Vácuo, o CONSUP e, por último, os atos da Reitoria, que, em nosso caso, é o atual governo AB. O primeiro, é notório dizê-lo, está por ser reparado, constituído em uma segunda edição, conforme a democrática Apreciação Pública realizada há pouco, pelo site. O segundo, dado como vácuo, é, pois, um vazio e, tendo em vista a sua importância para a institucionalidade (a cultura institucional), a formatação organizacional dos indivíduos que compõem a instituição, é já, independente de sindicalismos, um elemento de contestação (apartidária), pois não impede, sobre sua ausência, uma singular racionalização: sem Regimento, qual o Regime? O terceiro, os superiores que deliberam e que é “fundamental para contribuir na definição de políticas estratégicas para a instituição”, está com sua composição defasada, segundo o próprio Estatuto, em sua primeira edição e em vigor, após o término de dois anos de mandato dos conselheiros representantes. Isto, de forma prática, põe em xeque “sua legitimidade”, pois ela “advém da forma democrática com que seus integrantes venham a ser indicados”.
      Pois bem, a reitoria é a reitoria, responsável executiva, eleita por nós e, por isso, com o nosso apoio para a execução das políticas institucionais, ou seja, a administração. Sobre ela, acima do Reitor e seu grupo de trabalho, está o CONSUP, que é exatamente quem define estas políticas institucionais, quem determina a forma da administração. Ora, é sabido, inclusive com “palestras” no próprio Sindiedutec, que o mandato dos Representantes dos Docentes, dos Discentes e dos Técnicos findou há alguns meses (março ou abril?) e é aí que convergem todos os assuntos. Nossa hipótese é: o motim, aquele mencionado em um e-mail, o motim já não teria ocorrido?

        A autoridade confundida.
      A Resolução 14/2011 do CONSUP, do dia 01/09/2011, portanto, quando defasado, prorroga o prazo de mandato dos próprios conselheiros do CONSUP. Tenhamos sobre as celhas o significado da vertiginosa palavra democracia, que é de onde deriva a explicação do MEC: “sua legitimidade advém da forma democrática com que seus integrantes venham a ser indicados”. Considerando o país, a História, a Filosofia, a Sociologia e a singular particularidade de nossa finalidade, a Educação, democracia é o povo decidindo por si mesmo, em outras palavras, o povo é a autoridade constituída que detém o poder e que, em uma democracia representativa, delega a este poder de decidir a seus representantes, por um tempo (prazo) determinado. Povo é a população, os cidadãos; e, em nosso caso, significa a comunidade do IFPR. De grau em grau chega-se à conclusão óbvia de que a autoridade constituída, em uma organização democrática, é a própria comunidade que a forma e que delega do poder para decidir, de maneira representativa, tendo como um de seus fundamentos básicos a periodicidade, um prazo determinado para que a representação seja exercida. Ou seja, a indicação dos integrantes do CONSUP, para que seja legítima, só pode ser feita por uma decisão desta comunidade e se dá num tempo finito. Findo o tempo de representação, termina-se o poder delegado, procede-se (de preferência, anterior aos prazos) a novas eletivas, “retornando” ao povo, quer dizer, à comunidade o seu poder de autoridade e de escolha para novas representações legítimas (fico aqui pela simplificação para não trazer demasiada fonte de discussão; com esta definição ideológica já nos basta). Agora, imagine se, tendo sido dado a legitimidade aos Conselheiros do CONSUP para nos representarem, num primeiro momento e por determinado prazo de tempo, estes pudessem, dispondo deste poder outorgado, ao próprio poder usurpar, nos subjugar? Ainda que não haja um regimento, não quer dizer, isso, que não exista o regime. E o Estatuto, para quê? Burocratismos? Autolegitimação, é isso, a (nossa) modernidade?! Um erro da história, uma gargalhada? Republicanos, hein...

         Um motim?
       Ora, se existe no IFPR, no mínimo, o A, o B e o C, como visto acima, isto significa, de imediato, que existem grupos não homogêneos. Retornando à definição dada para motim, uma insurreição de grupos não homogêneos, organizada ou não, contra qualquer autoridade instituída”, pode-se concluir que... Ainda que AB tenham se homogeneizado, em acordo prévio, C, com aquele pedido (?), comprova a existência de grupos não homogêneos (o fato de que C não conteste não lhe garante uma homogeneização; seu silêncio calmo e brando apenas vela por sua heterogeneidade). Estes grupos, organizados ou não, não promoveram uma insurreição (“nós, que no CONSUP estamos, nos legitimamos para no CONSUP permanecermos! E tu, calado!”) contra a autoridade constituída, a comunidade do IFPR (desde uma res publica)?
       “Não sei, só sei que foi assim.” – diria o Chicó, lá n'O Auto da Compadecida.


Eh, Cristóvão! Que terras tu encobriste para que não a soubéssemos? Em que nau, a qual modernidade tu nos conduzes? Que povos faremos encontro e que povo nos faremos ser encontrados?

Por princípio, somos servidores de uma instituição e é a ela que devemos nos entregar. O fato de sermos uma nova instituição e termos de, literalmente, criar sua institucionalidade (cultura) nos dá maiores responsabilidades. Isso tem que ser assumido por cada um de nós: não nos basta o rotineiro, o comum do dia a dia, pois, sendo uma nova instituição (IFPR) de uma nova institucionalidade (IFs), devemos fomentar a criação, o lampejo humano da inovação sobre a morosidade e o costumeiro. A rotina nos fará sermos apenas burocratas (e ‘burocraticidas’). Mas... é claro que isso é mais do que sabido por aqui, tendo em vista que nosso motivo é a Educação: a recriação da criação incessante.



(*) Nota: do início da digitação deste até o dia da publicação, a segunda edicação, revista e aumentada, do estatuto entrava em vigor.


6 de set. de 2011

Fichamento 1:

Existe um pensamento político brasileiro?
Raymundo Faoro

Do pensamento político
  1. Se há um pensamento político brasileiro, há um quadro cultural autônomo, moldado sobre uma realidade social capaz de gerá-lo ou de com ele se soldar.

  2. O pensamento político não é conversível à filosofia política, à ciência política ou à ideologia. Ele se expressa em uma ou outra manifestação: como ideologia e como filosofia (ou ciência política), mas tem, entretanto, autonomia.

  3. O legado socrático traduz o encontro entre filosofia política e política, que forma a base do construtivismo que frequenta a política ocidental em muitos aspectos e direções. Trata-se, na realidade, de uma identificação que oculta o predomínio do logos sobre a práxis: um modelo referenciável no denunciado despotismo das influências das teorias sobre os fatos, na importação de valores e programas.

  4. Logos sobre a práxis: reduz o pensamento político à filosofia política e desfigura a política, convertendo a história na história das ideias. A política se desvincularia da realidade, perdida numa teia de doutrinas, em simplismo que o tornaria o desvario de cérebros ociosos. Tocqueville soube distinguir o pensamento político da filosofia política ao identificar o espetáculo ideológico ao distinguir o intelectual, com suas fórmulas, da ideia que ganha a sociedade:

    Acima da sociedade real, cuja constituição era ainda confusa e irregular, onde as leis permaneciam divergentes e contraditórias, as hierarquias estanques, fixas as condições e desiguais os encargos, construía-se, pouco a pouco, uma sociedade imaginária, na qual tudo parecia simples e coordenado, uniforme, equitativo e conforma à razão.

  5. O pensamento político atua, deformando-se, na ideologia. Ela, a ideologia, constitui o terreno “sobre o qual os homens se movimentam, lutam, adquirem consciência de sua posição” (GRAMSCI). No paradigma marxista, a consciência ideológica é uma “ilusória” e uma “falsa consciência” (LUCAKS). Os ideólogos dominantes lutam para que se oculte a essência da própria classe, ao mesmo tempo que nega a autonomia dos interesses das outras classes.

  6. A consciência ilusória “cobre a realidade e a revela, deformando-a” (BOBBIO): representa o papel de um programa de um movimento político. Trata-se de uma forma de pensamento político em batalha, uma ideologia em sentido débil, que exacerba o elemento da ação. A eficácia da ideia assume a importância maior, com desprezo da pauta da verdade.

  7. A ideologia é interessada na eficácia e reina no território da práxis. A filosofia política reduz o pensamento político ao logos, em proposições científicas: a realidade seria o espelho da teoria. Fora delas haveria apenas a política alheia à congruência – espécie de política irracional, – a política cujo segredo é não ter política. Ela, a política que não é filosofia, nem ciência, nem ideologia, que não se extrema na ação, nem se racionaliza na teoria, ocupa o espaço do que se chama o pensamento político: “A glória de mandar, amarga e bela”. Ele atua como saber informulado.

  8. O pensamento político atua na ação, numa práxis que se desenvolve no logos. Suas prescrições são normativas, pelo que atuam fora da lógica proposicional, e a sua função é a de direcionar a conduta humana em determinado sentido. Suas proposições assumem o significado dos sistemas nomoempíricos, tal como as normas do direito.

  9. O logos expressa-se em proposições enunciativas, escritos nos livros e nos discursos: é um saber formulado. A atividade política vem antes, precedendo as formas do logos. O pensamento político está dentro da experiência política, incorporado à ação, fixando-se em muitas abreviaturas, em corpos teóricos, em instituições e leis. O vínculo entre a práxis e o logos se dá pela sugerência, palavra que indica o modo como se expressa o quantum possível de saber formulado a partir da experiência.

  10. O pensamento político de cada um não se afirma na fórmula intelectual, mas na atividade real, implícita na ação: a verdadeira ação, a da sociedade e de cada um, contém-se na política (GRAMSCI). O saber informulado, que compõem o pensamento político, está na sugerência: é esta que o distingue da fantasia, do arbítrio imaginativo e da ideologia. A sugerência freia, de um lado, o desenvolvimento teórico, dando-lhe consistência prática, e, de outro lado, marca o limite da presença da sociedade.

  11. O pensamento político é uma atividade e “a atividade envolve uma discrepância entre o que é e o que desejamos que venha a ser”. Há, na atividade, e, depois, na prática, o trânsito entre formas e estruturas de existência: de um lado, no território do ser, de outro lado, no campo do valor. O que é virá a ser, mas de acordo com valores: o direito, a justiça, limitados o ser e o valor pela sugerência.

  12. O pensamento político, porque atividade, contém carga crítica. Como valor e como ser que virá-a-ser, corrosivo da ideologia e do imobilismo da filosofia política, acompanha e potencializa a dialética social, a qual se vincula por meio de manifestações múltiplas. Em certos momentos, o pensamento político se expressa melhor na novela do que no discurso político, mais na poesia do que no panfleto de circunstância.

    Em breve, a novela...